OPINIÃO – pólis moderna II

O tema da vez é a famosa “gripe suína”, opa, “gripe a” em respeito aos criadores de porcos que temem ver sua produtividade declinar devido ao valor pejorativo do nome da doença.Três pontos me chamam a atenção sobre ela: o alarde que dão a mesma, sem ao menos ter uma mera referência ao fato de a gripe ser cíclica no mundo, ou seja, este surto não é uma novidade; a coincidência das ações de grandes empresas farmacêuticas estarem em alta anormal em meio à crise econômica e ao fator biológico das relações entre humanos e outros animais, não estar sendo profundamente debatido, o que deveria ser primordial.

Diferente do que a maioria pensa, esta não é uma nova doença que surgiu entre os mexicanos, ela data de 1918 e sua origem foi a Rússia e também num momento turbulento na Rússia pós revolucionária.Isto prova a ciclicidade dos surtos de gripe se levarmos em conta também a gripe espanhola na década de trinta e o surto de gripe nos EUA e Europa na década de 80.Esta doença é intrínseca a nossa espécie,portanto o alarde é excesivo.

Quanto à vertente econômica, é importante vermos como o mercado reage à esse novo abalo da sociedade.Enquanto os criadores de porcos se esmeram em mudar o adjetivo prejudicial da doença da moda, as empresas farmacêuticas respiram aliviadas no olho do furacão da crise econômica que assola o mundo.O ponto a ser observado nessa questão, é a sociedade pressionar estas empresas à trabalharem para o bem comum e produzirem rapidamente o remédio ao invés de tratarem tal caso, como uma simples proporção oferta-procura, visando a uma lucratividade futura.Aliás, tema  fundamental na nossa vida este, será realmente proveitoso para o bem social a capitalização dos estudos e trabalhos científicos? Será que a teoria da ganância individual trabalhando para o bem comum de Smith se aplica nesse caso?Creio que não.Devem existir princípios que se sobreponham ao jogo do mercado, e a ciência com certeza é um deles, infelizmente a tendência não é esa, e sim, o contrário.

Por fim,analisemos a causa biológica de toda a problemática do vírus.Vem de longe o início das relações entre homem e animais, vem do neolítico, mas não nos prendamos à fatores históricos ,e sim, aos práticos.Tal relação evoluiu  tanto que hoje nada tem a ver com sua origem.Hoje, porcos, aves, vivem num sistema fabril de produção como mecanismos- fins do processo.O fato de serem seres vivos pouco importa aqui,logo, encontramos a chave do problema.Suas reações bióticas a esse padrão de vida associada a um maior contato entre as duas espécies proporcionou essa troca de vírus e outros fatores entre as mesmas,portanto, a discussão deve transcender do nível econômico e bológico para um nível filosófico também.Como nosso estilo de vida afeta eses seres ao ponto de estes estarem interagindo conosco neste novo estágio de interação?Como mudar isso? São os nossos problemas, são os problemas da pólis, então discutamo-los.

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